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  • 20th juin
    2012
  • 20

Tudo Igual

Por Julia Petit

Hoje saiu uma matéria no jornal britânico Daily Telegraph falando sobre a semana de moda e o mercado de luxo no Brasil. Nada muito novo. Helicópteros, caipirinhas, fotos de “street style” manjadas… Uma daquelas matérias que dá impressão que a jornalista veio aqui, convidada por um segmento específico, para conhecer pessoas específicas e lugares específicos. Mas, uma frase de Rosanne Behar me chamou atenção: “Brazilian women now shop as if their lives depended on it.” Ou, em português: “as mulheres brasileiras compram como se suas vidas dependessem disso” . Rosanne trabalha na JHSF, empresa responsável por alguns dos mais luxuosos empreendimentos do Brasil, e sabe muito bem do que está falando. Já falei disso aqui em outras ocasiões, sobre a necessidade de identificação de grupo e o quanto as pessoas estão virando zumbis da moda. E voltamos agora ao assunto com essa matéria. Olhar o Instagram, blogs e colunas sociais me dá uma impressão de um dia da marmota da moda. Pessoas iguais, com os mesmos cabelos, as mesmas três ou quatro bolsas, joias, roupas, sapatos, óculos… E quanto mais “ricas” mais iguais vão ficando. A mesma jornalista que escreveu a matéria deu uma entrevista para o site FFW e comentou sobre a quantidade de logos e bolsas gigantes que viu em sua passagem por aqui (aliás a quantidade de falsas no SPFW era assustadora). E ainda completou que os brasileiros deviam dar mais valor aos produtos nacionais. Imagino ela vendo as dezenas (centenas, milhares?) de clones que vemos nos corredores do SPFW, ou pelos restaurantes da cidade. Isso me lembra de quando eu era pré adolescente na escola e as turminhas de meninas gostavam de se vestir iguaizinhas (eu e minha melhor amiga só usavamos lilás) e penso: Será que essas mulheres transferiram a necessidade adolescente de serem gêmeas das amigas e se sentirem mais seguras para a vida adulta? Será que a consumidora de luxo brasileira tem a mentalidade de uma menina de doze anos, que quer se vestir como as amigas ou como um de seus ídolos de filmes ou música? Mas quem é idolo neste caso? De onde vem a (as) referência (as)? E vale alertar a jornalista que não, esta não é a mulher brasileira. Este é um tipo, que vive numa região específica, de uma cidade específica e que frequenta alguns endereços específicos. E quando viaja pelo mundo, pode ser identificada a um quarteirão de distância como sendo um clichê da “riqueza” brasileira.

Foto: Chris Jordan

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